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terça-feira, 4 de setembro de 2012

ISS sofre problemas de abastecimento de energia elétrica


Astronautas não tiveram tempo de substituir o bloco MBSU (de distribuição de energia) e estação não recebe energia de duas baterias solares

03 de setembro de 2012 | 18h 00
Tripulantes se impuseram estritas medidas de economia de energia - Divulgação

Divulgação
Tripulantes se impuseram estritas medidas de economia de energia
 A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) experimenta problemas de provisão de energia elétrica e funciona em regime de máximo economia, informou nesta segunda-feira, 3, uma fonte do setor aeroespacial russo à agência "Interfax".

"Já que os astronautas não tiveram tempo de substituir o bloco MBSU (de distribuição de energia), a estação não recebe energia de duas baterias solares", informou a fonte.

Além disso, outra bateria não abastece a plataforma devido a um pico de tensão em um de seus comutadores, acrescentou.

Deste modo três das oito baterias solares da plataforma não cumprem com sua função, por isso que os integrantes da estação se impuseram estritas medidas de economia de energia elétrica.

Em particular, os astronautas desligaram alguns equipamentos científicos.

Na próxima quarta-feira, a astronauta americana Sunita Williams e o japonês Akihiko Hoshide tentarão de novo instalar um distribuidor elétrico da ISS para substituir outro estragado, algo que não conseguiram fazer durante a caminhada espacial da quinta-feira passada.

Os astronautas conseguiram retirar e armazenar a unidade danificada, mas tiveram dificuldades para fixar a nova em uma das vigas principais da plataforma, que orbita a 380 quilômetros da Terra.

sábado, 25 de agosto de 2012

Morre aos 82 anos Neil Armstrong, 1º homem a pisar na Lua


Morreu neste sábado (25) o astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua.
Comandante da missão Apollo 11, Armstrong teve complicações após cirurgia no coração realizada há três semanas, apenas dois dias após seu aniversário, para desobstruir quatro artérias coronárias.
Divulgação/Nasa
Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua
Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua
A causa da morte ainda não foi divulgada.
Armstrong nasceu em 5 de agosto de 1930 em Wapakoneta, no Estado de Ohio, Estados Unidos.
Ele pisou na Lua em 20 de julho de 1969, quando a missão Apollo 11 pousou na superfície lunar.
Dos 12 americanos que chegaram ao satélite terrestre até hoje, apenas oito estão vivos --e o mais jovem já está com 76 anos.
"SALTO PARA A HUMANIDADE"
O astrounauta é conhecido por ter dito a célebre frase "Uma pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade" ao pisar na Lua.
Ele passou aproximadamente três horas andando em solo lunar com seu companheiro de missão, o astronauta Edwin "Buzz" Aldrin.
Em solo lunar, os dois coletaram pedras, hastearam a bandeira dos Estados Unidos, tiraram fotos e conversaram com o presidente Richard Nixon pelo telefone.

Divulgação/Nasa
Morreu aos 82 anos o astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua
O astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua, em foto tirada pelo seu colega Edwin "Buzz" Aldrin
ÚLTIMA MISSÃO
A missão que o levou à Lua foi seu último voo espacial.
Um ano depois, ele se tornou professor de engenharia da Universidade de Cincinnati.
Ele vivia em Indian Hill, subúrbio de Cincinnati, com sua esposa Carol. Eles se casaram em 1999.




segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Jipe-robô Curiosity pousa em Marte com segurança

RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL A PASADENA (EUA)

O centro de controle do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa), em Pasadena, na Califórnia, recebeu a confirmação de que o jipe-robô Curiosity pousou em segurança em Marte às 2h31 desta segunda-feira (hora de Brasília).
O sucesso da aterrissagem, que foi feita de modo totalmente automatizada, foi imediatamente comemoradO com palmas, gritos e abraços na sala de apoio da missão do laboratório.
"Aterrissagem confirmada", disse Allen Chen, chefe de dinâmica de voo e operações da missão, assim que recebeu um sinal da sonda orbitadora Mars Odyssey, que retransmitiu as informações do jipe-robô. "Os dados da Odyssey estão fortes."
Segundos depois, a câmera traseira do jipe transmitiu uma foto em preto e branco e baixa resolução mostrando uma das rodas do jipe tocando o solo de Marte, provocando mais euforia no laboratório.

Divulgação/Nasa
Robert Pattinson é visto em boate nos EUA
Foto em baixa resolução feita com lente empoeirada mostra roda do jipe Curiosiity sobre solo o marciano

Curiosity, o maior artefato humano já levado até o solo de Marte, tem uma vida útil planejada para dois anos, durante a qual vai investigar a possibilidade de Marte já ter tido condições de abrigar vida.
Para colocar o jipe-robô no solo, foram usados basicamente três diferentes dispositivos, no mais complexo pouso já feito em Marte. Primeiro, um escudo de proteção térmica ajudou a nave a entrar na atmosfera do planeta num impacto a 21 mil quilômetros por hora. Depois, um paraquedas supersônico desacelerou o módulo de aterrissagem e, por fim, um guindaste voador movido a retropropulsores depositou o jipe-robô no solo.
A cada passo que a nave completava, engenheiros no centro de controle batiam palmas. Nos momentos em que a espaçonave silenciava seu transmissor, os técnicos se entreolhavam, trocando expressões de ansiedade.
O Curiosity tem cinco vezes o peso dos jipes gêmeos Opportunity e Spirit, que exploraram o planeta em 2003 e possui dez diferentes instrumentos científicos diferentes para analisar materiais coletados e observados.
Com o sucesso do pouso, cientistas devem passar algumas semanas testando os instrumentos do jipe, antes de o colocarem para explorar a cratera Gale, o local do pouso.

terça-feira, 31 de julho de 2012

China deve colocar sonda espacial na Lua em 2013


Lançamento de nova nave é a segunda de três partes do ambicioso projeto chinês

A China deve fazer com que uma de suas sondas espaciais aterrissar pela primeira vez na lua no segundo semestre de 2013, informou a mídia estatal do país nesta segunda-feira, 30, revelando o próximo passo do programa espacial chinês, que inclui a construção de uma estação espacial.
O lançamento da sonda Chang'e One, que orbita o satélite terrestre, ocorreu em 2007 e marcou a primeira das três fases do projeto chinês, que ainda tem prevista uma missão não-tripulada no ano que vem e, posteriormente, a coleta de amostras de solo e de rochas da Lua em 2017.
O Serviço de Notícias da China, ligado à imprensa oficial, informou que a Chang'e Three, a nave a ser utilizada na próxima etapa, vai conduzir pesquisas na superfície lunar no ano que vem. Não foram dados detalhes adicionais, mas cientistas chineses disseram que podem enviar um homem ao satélite depois de 2020.
No mês passado, a China encerrou uma de suas missões espaciais com o retorno da nave Shenzhou 9. O projeto colocou a primeira astronauta mulher do país no espaço e concluiu um processo de teste acoplagem fundamental para a construção futura de uma estação espacial.
O país está atrás de Estados Unidos e Rússia no que diz respeito aos programas espaciais, mas a missão da Shenzhou 9 foi a quarta dos chineses em menos de dez anos. As mudanças nos rumos dos programas espaciais dos outros países também deve colocar os chineses mais próximos do topo - os Estados Unidos disseram que não devem lançar outro foguete até 2017, devido a cortes no orçamento, e a Rússia já anunciou que as missões espaciais não são mais uma prioridade.

Bandeiras americanas fincadas na Lua ainda estão de pé


Para especialistas, sombras mostram que objetos deixados pelas missões Apollo permanecem no local


O astronauta John Young e a bandeira deixada pela Apollo 16, em 1972.
Imagens feitas por uma sonda espacial da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, mostram que as bandeiras americanas fincadas na Lua pelos astronautas das missões Apollo ainda estão de pé, em sua maioria.
Segundo as fotos da Sonda de Reconhecimento Lunar (LRO, na sigla em inglês), todas as bandeiras ainda projetam sombras sobre o solo da Lua, o que sugere que elas estão como foram deixadas pelos astronautas. Apenas uma delas não está mais no lugar - a plantada pela missão Apollo 11, a primeira a chegar na Lua. A bandeira teria sido derrubada pela propulsão dos motores quando a nave decolou.
Todas as missões Apollo que chegaram até a Lua plantaram uma bandeira na superfície do satélite. Cientistas haviam examinado fotos desses locais anteriormente e haviam notado sombras que seriam das bandeiras, mas não tinham evidências disso.
Mas pesquisadores estudaram imagens dessas mesmas áreas a partir de vários pontos de vista e observaram sombras onde as bandeiras estão. Mark Robinson, que coordena a operação da câmera da LRO, dissem em seu blog que "as imagens mostram que as bandeiras certamente estão de pé e projetando sombras em todos os lugares, exceto no da Apollo 11".
Ainda de acordo com Robinson, da Arizona State University, "a forma mais convincente de ver que as bandeiras estão lá é observar o círculo de sombras que se forma com o registro de imagens feitas durante vários momentos do dia". "Pessoalmente, é surpreendente como as bandeiras sobreviveram à luz ultravioleta e às temperaturas da superfície lunar. Como elas estão, é outra questão", concluiu.
A LRO, cujo objetivo é mapear em alta definição a superfície lunar, iniciou sua missão na órbita do satélite em 2009. Entre as tarefas da sonda está identificar recursos minerais potenciais locais de aterrissagem para missões futuras na Lua.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Criador de 'Family Guy' compra e doa estudos científicos de Carl Sagan


DA ASSOCIATED PRESS

A Biblioteca do Congresso norte-americano anunciou na quarta-feira (27) ter adquirido estudos originais do cientista Carl Sagan, que levou questionamentos sobre a origem e os mistérios do Universo para dentro das casas de pessoas comuns com a série de TV "Cosmos", exibida na década de 1980.

Associated Press
Morte de Carl Sagan: o astrônomo durante gravação da série de TV "Cosmos". [FT-21.12.96] -Astronomer Carl Sagan, shown in this 1981 file photo, a gifted storyteller who extolled and explored the grandeur and mystery of the universe in lectures, books and an acclaimed TV series, died Friday Dec. 20, 1996 at age 62 after a two-year battle with bone marrow disease. Sagan died of pneumonia at the Fred Hutchinson Cancer Research Center in Seattle, where he had a bone-marrow transplant in April 1995, said center spokeswoman Susan Edmonds.[AP Photo/Files]
O astrônomo Carl Sagan durante gravação da série de TV "Cosmos", que se tornou famosa na década de 1980

A aquisição, cujo preço não foi divulgado, só se tornou possível pela participação de Seth MacFarlane no processo. Ele é o criador dos desenhos "Family Guy", "American Dad" e "The Cleveland Show".
"Tudo que fiz foi assinar um cheque, mas foi algo que, para mim, valeu cada centavo", comentou ele em entrevista.
O material é suficiente, disse a agência de notícias, para encher 800 gavetas. Há correspondências trocadas entre Sagan e seus colegas cientistas, além de rascunhos de artigos acadêmicos e de cenas do filme "Contato", que foi baseado em um livro de ficção científica escrito por Sagan e rodado com Jodie Foster no papel principal.
O processo da compra teve um facilitador. MacFarlane conhece a viúva de Sagan, Ann Druyan. O primeiro contato foi durante um evento que colocou no mesmo local cientistas proeminentes e roteiristas e diretores de Hollywood.
A partir daí, os dois concordaram em dar seguimento ao mais famoso programa protagonizado por Sagan na TV, a série "Cosmos", com MacFarlane como um dos produtores do projeto --as gravações devem começar ainda neste ano, com o astrofísico Neil deGrasse Tyson como apresentador. Tyson já tem alguma experiência televisiva, até do lado da comédia -- já fez uma participação na série "The Big Bang Theory", por exemplo.
Carl Sagan morreu em 1996, aos 62 anos. O cientistas contribuiu com a Nasa (agência espacial dos EUA) em vários projetos e realizou estudos sobre a possibilidade de vida extraterrestre.
Sagan também deu sua contribuição ao meio científico ao abordar temas atuais, como as mudanças climáticas globais, e foi coautor do artigo que cunhou o termo "inverno nuclear", que defende a ideia de que o planeta seria coberto por nuvens espessas após uma guerra nuclear, o que afetaria toda a vida na Terra.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cosmonautas no Rio



Pouco tempo depois da visita de Yuri Gagarin ao Brasil, foram restabelecidas as relações diplomáticas entre os dois países




No ano passado foi celebrado o jubileu de 50 anos do primeiro voo do homem ao espaço, realizado pelo cosmonauta soviético Yuri Alekseevich Gagarin. No entanto, pouca gente sabe que naquele mesmo ano de 1961 Gagarin visitou o Brasil.
Em meados de 1961, quando o Brasil e a União Soviética não tinham relações diplomáticas, já que elas haviam sido interrompidas pelo Governo Brasileiro em 1947, Yuri Gagarin, então em visita a Cuba, recebeu de forma inesperada um radiograma de Moscou com a recomendação de visitar o Brasil a convite do Governo Brasileiro. A sua visita começaria pelo Rio de Janeiro.
Como foi descrito pelo jornalista P. Barashev, o avião de Gagarin aterrissou no aeroporto do Rio de Janeiro à noite, sendo aguardado por uma multidão de 120 mil pessoas. Todo o trajeto até o aeroporto estava cheio de gente, que agitava bandeiras e cartazes com o retrato de Gagarin e soltava fogos de artifício que enchiam as ruas e as praças com grandes explosões. Havia viaturas de polícia e carros de bombeiros estacionados nos principais cruzamentos e pontes do trajeto. Para conter a multidão, ávida para ver Gagarin, a polícia instalou um cerco em torno do melhor hotel da cidade, o Copacabana Palace. O sorriso único e encantador de Yuri Gagarin e o seu jeito simples e fácil de lidar com as pessoas haviam conquistado o coração dos cariocas.
Passados alguns dias, Gagarin desembarcou no aeroporto da então nova capital, Brasília, sendo recebido pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil. Assim que Gagarin saiu do avião e entrou no carro, o veículo foi levantado pela multidão e levado nos braços até o palácio presidencial. O cosmonauta soviético foi condecorado com a mais alta honraria dos oficiais das Forças Armadas do Brasil, a Ordem do Mérito Aeronáutico.
Assim como em outros lugares, Yuri Gagarin precisou responder a muitas perguntas, uma das quais era sobre como ele poderia contribuir para a paz. E Gagarin respondeu: “Sozinho, um homem não pode triunfar numa questão tão importante para o planeta como a luta pela paz mundial. Ela deve contar com a participação das massas populares de todos os países. Só assim as nuvens da guerra serão dissipadas para sempre.”
É notável que muito em breve, em 31 de novembro daquele mesmo ano de 1961, as relações diplomáticas entre a União Soviética e o Brasil seriam restabelecidas, um feito que muito provavelmente tenha sido favorecido de forma considerável pela visita de Yuri Gagarin ao Brasil.
Após essa que, sem exageros, pode ser chamada de uma visita histórica, o Brasil recebeu outras visitas de alguns dos famosos cosmonautas russos.
Em particular, é preciso falar sobre a visita do cosmonauta Aleksei Arkhipovich Leonov, que em companhia do astronauta americano Thomas Stafford participou do 51.° Congresso Internacional de Astronáutica, realizado aqui no Rio de Janeiro em outubro de 2000. O Congresso, que reuniu delegações de 47 países, convidou Leonov e Stafford não apenas como autoridades em pesquisas espaciais de seus respectivos países, mas também como comandantes das tripulações da lendária missão espacial soviético-americana Soyuz-Apollo. Na véspera da abertura do evento, o cosmonauta soviético e o astronauta americano realizaram um passeio pelas areias da praia de Ipanema, a bordo de uma cópia exata do veículo lunar americano usado na missão espacial Apollo 13. Esse fantástico “passeio lunar” foi uma verdadeira sensação na cidade, ficando marcado na memória daqueles que tiveram a oportunidade de vê-lo.
Já no ano passado, dois outros cosmonautas russos, Oleg Kotov e Pavel Vinogradov, vieram ao Rio de Janeiro a convite do IV Fórum Internacional de Astronomia e Astronáutica, realizado no município de Campos dos Goytacazes entre os dias 19 e 24 de abril de 2011. Durante a sua estada no Rio, entre os dias 19, 20, 22 e 24 de abril, eles participaram de uma série de encontros com representantes de autoridades locais, círculos científicos e sociais e seus compatriotas russos. Para honrar a presença dos ilustres convidados na cidade, o Consulado Geral da Rússia organizou uma recepção solene com a apresentação formal dos cosmonautas e a mostra de um documentário sobre o primeiro voo do homem ao espaço. Já durante sua visita ao Planetário do Rio de Janeiro, onde o Consulado Geral havia organizado exposição de fotografias em homenagem aos 50 anos do voo de Gagarin, os cosmonautas russos contaram ao auditório local a história e a atual situação da cosmonáutica russa.
Em Campos, além da participação dos cosmonautas russos, aconteceu a presença do astronauta americano Charles Duke e do astronauta brasileiro Marcos Pontes. Este último acompanhou Kotov e Vinogradov praticamente em todos os seus encontros e eventos tanto no Rio de Janeiro quanto em Campos dos Goytacazes, o que se tornou uma prova viva da bem-sucedida parceria estratégica entre Rússia e Brasil. Vale lembrar que Marcos Pontes visitou a Estação Espacial Internacional integrando a tripulação da nave espacial russa Soyuz-TMA-8, liderada por Pavel Vinogradov.
Os cosmonautas russos deram dezenas de entrevistas a diversos veículos da imprensa brasileira, como “Jornal do Brasil”, “Jornal da Semana”, filial brasileira da Voz da Rússia e TV PUC-RIO, além das agências de notícias russas RIA Novosti e ITAR-TASS.
A estada dos cosmonautas russos no Brasil foi acompanhada por uma série de eventos culturais e educacionais, incluindo uma mostra de vídeos documentais sobre o voo de Gagarin e a apresentação de artistas da Escola de Balé do Bolshoi de Joinville. A visita da delegação russa ao Brasil recebeu uma grande cobertura por parte da imprensa, e, no geral, teve uma resposta bastante positiva, reforçando a boa imagem da Rússia no Brasil e promovendo os suas realizações nas áreas de ciência e tecnologia.
Como resultado da viagem, os cosmonautas russos discutiram com os parceiros brasileiros a questão da criação, no Rio de Janeiro, de uma base temporária experimental para o descanso e a reabilitação de cosmonautas russos, após a sua longa permanência no espaço. A ideia era organizar viagens de três a quatro semanas durante o verão brasileiro, entre os meses de novembro e março. Supunha-se que o primeiro a usar o projeto seria o filho do cosmonauta soviético Alexander Volkov, Sergei Volkov, que retornaria à Terra após um período de 6 meses de permanência a bordo da Estação Espacial Internacional. No entanto, devido a problemas financeiros, a ideia não pôde ser levada à frente em 2012. Mas, quem sabe, no futuro, o projeto ainda possa ser realizado...

domingo, 25 de março de 2012

Lixo espacial deixa astronautas de estação em alerta


A tripulação da Estação Espacial Internacional teve de se refugiar em cápsulas de fuga de emergência temendo uma colisão com um pedaço de lixo espacial.
O detrito, um pedaço descartado de um foguete russo, foi detectado na sexta-feira, quando já era tarde demais para mover a estação espacial.
A agência espacial americana, a Nasa, afirmou que o detrito não chegou a se aproximar tanto da estação a ponto de constituir uma ameaça, mas acrescentou que foi preciso tomar medidas de precaução.
Foi a terceira vez em doze anos que a Estação Espacial Internacional enfrenta o risco de ser atingida por lixo espacial.
Em junho, um detrito chegou a 335 metros da plataforma espacial.
Associated Press
Imagem da Estação Espacial Internacional
Imagem da Estação Espacial Internacional
Segundo a agência espacial russa, o pedaço de foguete deste sábado passou a uma distância de 23 quilômetros da estação.
'EXERCÍCIO DE ABRIGO'
A plataforma espacial atualmente conta com três astronautas russos, dois americanos e um japonês.
A equipe recebeu ordens de se refugiar em duas cápsulas Soyuz na eventualidade de a estação ser atingida, mas um porta-voz da Nasa informou que eles receberam o sinal verde para regressar à estação na madrugada do sábado.
O ''exercício de abrigo'', segundo o porta-voz, foi realizado ''com extremo zelo e de forma muito cuidadosa''. Ele acrescentou que tudo ocorreu ''como manda o figurino e o pequeno detrito passou pela Estação Espacial Internacional sem que houvesse incidentes''.
A Nasa está atualmente rastreando cerca de 22 mil objetos que estão percorrendo a órbita terrestre, mas a agência espacial acredita que possam exitir milhões de objetos rondando o espaço, como consequência de décadas de programas espaciais.
Os detritos variam de tamanho, podendo ser desde pequenos objetos com menos de um centímetro de comprimento ou até grandes pedaços de foguetes, satélites que não operam mais ou tanques de combustível descartados.
Nasa/Divulgação
Ilustração mostra circulação de detritos espaciais na órbita da Terra
Ilustração mostra circulação de detritos espaciais na órbita da Terra
Todos estes detritos que constituem o lixo espacial viajam a velocidades de vários quilômetros por segundo e, numa eventual colisão, podem provocar sérios danos à plataforma espacial ou a satélites.
Um dos eventos que provocou a maior criação de detritos se deu em 2007, quando a China usou um míssil para destruir um de seus próprios satélites. A explosão criou mais de 3 mil detritos, que puderam ser rastreados, e outras 150 mil partículas.

terça-feira, 13 de março de 2012

Problemas oculares em astronautas podem prejudicar viagens a Marte

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Os vôos de longa duração, como os planejados até Marte, estão ainda só no papel. Mas as conclusões de uma recente pesquisa bancada pela Nasa (agência espacial americana) indicam que os empecilhos para se chegar até o planeta vermelho podem ir além das dificuldades impostas pela tecnologia ou pelo tempo de viagem.
O estudo detectou que missões espaciais com no mínimo seis meses de duração provocam problemas oculares em astronautas. Alguns deles, como visão embaçada, parecem persistir mesmo depois do retorno da tripulação à Terra.
Essas mudanças provavelmente ocorrem como uma adaptação do organismo ao ambiente de microgravidade. A esperança dos cientista é poder detectar quais são as características que fazem um astronauta menos suscetível a esse feito colateral das missões espaciais. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1061159-problemas-oculares-em-astronautas-podem-prejudicar-viagens-a-marte.shtml

domingo, 11 de março de 2012

Vídeo inédito mostra explosão de ônibus espacial


Um vídeo com imagens inéditas (clique aqui para assistir), publicado pelo site The Huffington Post nesta setxa-feira (09/03), mostra a explosão do ônibus espacial americano Challenger.

O acidente, que comoveu o mundo todo, ocorreu no dia 28 de janeiro de 1986, em Cabo Canaveral, na Flórida, 73 segundos após a sua decolagem.

O Challenger é o segundo ônibus fabricado pela Nasa - a agência espacial dos Estados Unidos -, após o Columbia.

Um defeito nos tanques de combustível causou a explosão do Challenger, matando todos seus sete ocupantes. Por meses, o desastre paralisou o programa espacial americano.

O vídeo foi gravado por Jeffrey Ault, de Orange City, na Flórida. 



domingo, 15 de janeiro de 2012

Estação Espacial Internacional manobra para evitar colisão

Pedaço de um satélite americano destruído em 2009 está no caminho da ISS

Estação Espacial Internacional na órbita da Terra: astronautas terão de desviar de lixo espacial
Estação Espacial Internacional na órbita da Terra: astronautas terão de desviar de lixo espacial (Nasa)

Os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) terão de manobrá-la nesta sexta-feira para desviar do lixo espacial gerado pelo choque entre dois satélites em 2009. A colisão com um fragmento de satélite pode danificar seriamente a estrutura e os painéis solares da estação. 

A manobra será feita por meio de propulsores do chamado 'módulo de serviço Zvezda', que vão fazer a ISS elevar-se 1,5 quilômetro em sua órbita em torno da Terra. A correção da órbita acontecerá às 14h10 no horário de Brasília. Com isso, a estação estará a salvo de um dos pedaços que sobraram do satélite americano Iridium-33, que, desativado, bateu violentamente na carcaça do satélite militar russo Kosmos-2251 em 10 de fevereiro de 2009. Foi a primeira vez que dois satélites colidiram.

Lixo espacial - Os destroços que restaram do acidente estão entre os cerca de 500 mil detritos espaciais que podem causar riscos e são monitorados em tempo real pela Nasa, a agência espacial americana. A maioria do lixo espacial na órbita da Terra é formada por pedaços de satélites e outros aparelhos que têm até 10 centímetros de diâmetro. 

Apesar do pouco tamanho, esses detritos viajam a velocidades até 30 vezes maiores do que uma bala de revólver e podem causar sérios danos a satélites ativos e a veículos tripulados, como a ISS.  

Em junho de 2011, os astronautas da missão já haviam se abrigado em uma cápsula de fuga de emergência, a Soyuz, enquanto a estação atravessava uma nuvem de detritos. 

A tripulação atual da ISS é composta por seis astronautas: os russos Oleg Kononenko, Anton Shkaplerov e Anatoli Ivanishin; os americanos Donald Pettit e Daniel Burbank; e o holandês André Kuipers.

(Com agência EFE)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sonda russa que não chegou a Marte deve cair na Terra neste mês



De início, a viagem era até Marte, mas a missão da sonda russa Fobos-Grunt acabou abreviada para um rápido e infrutífero passeio pela órbita terrestre. Agora, chegou a hora de ela despencar do céu.
Ninguém sabe onde ou exatamente quando. As estimativas das autoridades russas dão conta de que ela deve cair entre hoje e o próximo dia 21. A data mais provável é domingo (15), embora variações nas condições da atmosfera tornem qualquer previsão mero chute. A única informação segura é de que partes da sonda devem passar ilesas na reentrada e chegar ao chão.
Editoria de Arte/Folhapress
Embora o processo seja violentíssimo, dada a velocidade da espaçonave, alguns de seus componentes foram projetados para resistir.
Isso porque, nos planos originais, a Fobos-Grunt iria até as imediações de Marte, pousaria na maior de suas duas luas, Fobos, e voltaria com amostras de sua superfície.
Ela chegaria aqui com o tanque de combustível vazio. Contudo, dada a falha no disparo dos propulsores que a deixou presa em órbita terrestre, a sonda descerá completamente abastecida.
"A presença do combustível levará a uma destruição ainda maior na reentrada, o que, por incrível que pareça, é melhor do que se ela ocorresse com os tanques vazios", avalia Petrônio Noronha de Souza, tecnologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos (SP).
Os russos esperam que, cheio de combustível inflamável, o tanque sofra uma explosão com o calor do atrito com a atmosfera, impedindo que grandes pedaços da sonda --com suas 14,5 toneladas-- cheguem ao chão. Segundo os especialistas, devem atingir o solo até 30 pedaços, somando 200 kg.
O mais provável é que o local da queda seja o oceano Atlântico ou o continente africano. Mas a chance de machucar alguém é remotíssima. Outros casos de reentrada de lixo espacial já causaram apreensão pelo risco, ainda que muito baixo, de que alguém fosse atingido.
FRACASSO
O projeto da Fobos consumiu US$ 163 milhões após mais de uma década sem lançamentos interplanetários da Rússia. A última sonda russa, de 1996, também foi destinada a Marte e fracassou.
A Fobos-Grunt partiu no dia 8 de novembro de 2011, mas logo percebeu-se que seus propulsores falharam.
Tentativas de estabelecer contato de rádio com a sonda foram feitas, por estações russas e pela ESA (Agência Espacial Europeia). Os europeus estabeleceram contato com a espaçonave, mas jamais ficou claro se ela obedeceu a algum dos comandos.
Apesar dos esforços, não foi possível recolocá-la a caminho de Marte. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Bola metálica de 6 kg despenca do céu e cai na Namíbia


Uma bola metálica que possivelmente se desprendeu da órbita terrestre --onde existe uma quantidade nada desprezível de lixo espacial-- foi parar na Namíbia.




National Forensic Science Institute/France Presse
Parece um pequeno guizo, mas na verdade é uma bola metálica que pesa 6 kg e caiu na Namíbia em novembro
Parece um pequeno guizo, mas na verdade é uma bola metálica que pesa 6 kg e caiu na Namíbia em novembro
Em novembro, as autoridades locais contataram a Nasa e a ESA (as agências espaciais norte-americana e europeia) para notificá-las sobre a descoberta de uma bola de metal com 1,1 metro de diâmetro e peso de 6 kg.
O objeto só não machucou ninguém por ter caído em uma região remota do país --uma vila a 750 km da capital Windhoek.
Segundo cálculos da Nasa, as chances de uma pessoa entre os cerca de 7 bilhões de pessoas que vivem na Terra ser atingida por um lixo espacial são de 1 em 3.200.
Desde o lançamento do Sputnik 1 (o primeiro satélite artificial em órbita), são quase 54 anos sem qualquer registro de morte nesses termos.
Na verdade, acredita-se que apenas uma única pessoa tenha sido atingida por lixo espacial. Em 1997, a americana Lottie Williams sentiu um baque no ombro que era um pequeno pedaço, diz a própria Nasa, de um foguete Delta. Ela não se machucou.
O lixo que circunda o planeta Terra são restos de equipamentos usados em missões espaciais.
Uma ou outra vez, essas sobras que flutuam aleatoriamente ameaçam bater na ISS (Estação Espacial Internacional).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Perto de completar 18 anos, Agência Espacial Brasileira tenta novo recomeço

Em entrevista ao site de VEJA, o físico Thyrso Villela, diretor da área de satélites, conta como será a nova fase da agência e como ela poderá ajudar o país a conquistar a tão sonhada independência espacial

Marco Túlio Pires
Centro de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão

Centro de lançamento de satélites de Alcântara, no Maranhão: "Brasil precisa ser capaz de lançar os próprios satélites de forma independente", diz Thyrso, da AEB (Agência Espacial Brasileira)
"Não é ufanismo nem nacionalismo. O Brasil precisa ser capaz de lançar os próprios satélites de forma independente."
"O que ganhamos com informação de meteorologia, por exemplo, chega a ser o equivalente ao que gastamos com nosso programa espacial anualmente, cerca de 300 milhões de reais."
"O programa espacial brasileiro apesar de ser velho, é novo. Começou há 50 anos, mas veio parando. Ficamos estagnados no tempo."

Em números, o programa espacial brasileiro passa a impressão de ser grande, com seus 15 satélites, três foguetes e dois centros de lançamento — de acordo com informações da Agência Espacial Brasileira (AEB). No papel, se aproxima de potências emergentes como a China e a Índia. Na prática, contudo, o programa nacional, que em 2012 completa 18 anos, não apresenta resultados tão expressivos quando os outros membros do BRIC.

Dos 15 satélites listados no programa espacial brasileiro, apenas um está em funcionamento, nove foram desativados por atingirem o fim da vida útil e seis estão previstos para 'um futuro próximo'. Já entre os três foguetes, nenhum está em operação. Os dois centros de lançamento estão funcionando, mas eles não lançam foguetes de grande porte.

No entanto, nada está perdido, acredita o físico Thyrso Villela, diretor da área de satélites, aplicações e desenvolvimento da AEB. O doutor em astronomia pela Universidade de São Paulo (USP) garante que o Brasil está passando por uma transformação espacial inédita. Villela está na AEB há três anos.

Nesta quinta-feira, o diretor fez uma apresentação sobre o futuro do programa espacial brasileiro no Instituto de Física da USP, durante a Escola Avançada de Astrobiologia, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

Em entrevista ao site de VEJA, Villela explicou como pretende fazer a AEB cumprir sua parte para ajudar o Brasil a conquistar a independência espacial, transformando o país em um potência científica e tecnológica.

Durante sua apresentação, o senhor disse que a Agência Espacial Brasileira (AEB) quer começar a planejar com alto custo-benefício. Não deveria ser sempre assim? Por que isso é uma novidade? Porque nunca houve uma ação estruturada no programa espacial brasileiro. Existiram iniciativas isoladas, com institutos, como o Inpe, realizando experimentos separadamente. 

Por que motivo nesses 17 anos de Agência Espacial Brasileira nunca houve uma ação estruturada? Tem toda uma história. Há um tempo era um ciclo vicioso: não tínhamos recursos humanos e não tínhamos recursos financeiros. Aí não tínhamos resultados. Se não tem resultado, vamos mostrar o que para captar recursos? Em seguida, quando os primeiros resultados começaram a surgir, tivemos sérios problemas de orçamento por vários anos. 

O que nos garante que o ano de 2012 será melhor para o programa espacial brasileiro? Em 2011, o Ministro de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, nos orientou que este ano seria de reflexão para a agência. É exatamente isso que estamos fazendo.

Não deveria ser um ano para trabalhar em vez de ficar refletindo? O programa espacial vinha com problemas há muito tempo. Precisávamos resolver isso. Não adianta colocar dinheiro na agência sem um propósito muito bem fundamentado.

Mas todos os programas espaciais do mundo têm problemas... É diferente... 

Diferente como? Não quer dizer que ficamos parados. Fizemos várias coisas. Os projetos que existem continuaram em andamento. O CBERS-3, satélite construído junto com os chineses, com 50% de tecnologia brasileira, ficou pronto e está sendo testado. Tivemos avanços com a plataforma multimissão, com o veículo lançador de satélites, o projeto do satélite geoestacionário... No geral, o último ano do orçamento bianual, nesse caso 2011, é mais reflexivo. Se não tivéssemos repensado nossas estratégias passaríamos os próximos três anos estagnados.

A AEB está apostando alto em uma plataforma multimissão que vai servir de base para outros satélites, barateando o processo de construção. Contudo, o projeto que tinha cinco anos de previsão para ser concluído ainda não está pronto 10 anos depois. Por quê? É algo que nunca foi feito antes. Isso quer dizer que precisamos criar a tecnologia, testá-la e fazer com que ela dê certo com uma indústria que ainda está crescendo e aprendendo a produzir os componentes. É diferente de fazer uma ponte ou um prédio. Vários dos sistemas presentes na plataforma nunca haviam sido desenvolvidos no Brasil. No meio do caminho, muitos componentes que iríamos comprar acabaram entrando na lista internacional de embargo. Ou seja, tivemos que aprender sozinhos como fazer as partes que faltavam e isso acabou atrasando ainda mais o projeto.

Como o Brasil vai conseguir se livrar dos embargos internacionais? O único caminho é desenvolver a própria tecnologia. A questão de embargo é política e militar, mas também é profundamente comercial. Existem vários interesses em jogo e precisamos pegar os atalhos para chegar onde queremos. 

O senhor disse durante a apresentação que o Brasil não tem escolha a não ser ter acesso independente ao espaço, referindo-se à construção de foguetes e satélites nacionais. Por que não temos essa escolha? Atualmente, qualquer sensoriamento remoto que o Brasil quiser fazer, seja o monitoramento do desmatamento da Amazônia ou a previsão do tempo, depende de satélites internacionais. Existem acordos para que a utilização desses equipamentos seja garantida, mas ninguém sabe o que pode acontecer. Estamos nas mãos de outros países. Durante a Guerra das Malvinas e o furacão Katrina ficamos praticamente sem imagens de satélite. É uma posição muito vulnerável. Não é ufanismo nem nacionalismo. O Brasil precisa ser capaz de lançar os próprios satélites de forma independente. 

O que mais o país poderia ganhar com independência espacial? Somos um país com uma extensão territorial enorme. Temos vários recursos minerais que precisam ser conhecidos e explorados da melhor forma possível. O que ganhamos com informação de meteorologia, por exemplo, chega a ser o equivalente ao que gastamos com nosso programa espacial anualmente, cerca de 300 milhões de reais. 

Mas esse dinheiro, uma vez economizado, seria revertido para a AEB? Estamos trabalhando para isso. O programa espacial brasileiro apesar de ser velho, é novo. Começou há 50 anos, mas veio parando. Ficamos estagnados no tempo e acabamos não tendo investimento. Para se ter ideia, o mercado de serviços de satélites é da ordem 200 bilhões de dólares por ano. Não estamos querendo entrar nesse campo pela aventura tecnológica. Queremos tudo que vem junto: empresas brasileiras de altíssima tecnologia, cursos universitários de ponta, institutos especializados. É algo que se espalha pela economia e melhora a qualidade dos empregos. O Brasil não pode continuar sendo o celeiro do mundo, isso é ridículo. 

Já existem exemplos de empresas brasileiras que se especializaram em tecnologia espacial? Essa é uma das missões da agência: fomentar o parque industrial brasileiro de alta tecnologia. O parque é pequeno, mas existe. Temos o exemplo dos satélites Amazônia-1 e CBERS. Trouxemos uma empresa que não tinha nada a ver com o programa espacial. Ela fez contribuições importantíssimas com um instrumento ótico e componentes de câmeras. Agora, ela é nossa parceira.

O Brasil teve três lançamentos fracassados com o Veículo Lançador de Satélites (VLS), um deles causando a morte de 21 pessoas em 2003, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O Brasil está pronto para lançar os próprios satélites? Os dois primeiros voos do VLS-1, sob o ponto de vista estritamente técnico, foram bons. Veja o que os Estados Unidos tiveram que fazer para conquistar o espaço. Eles tiveram uma série de acidentes, muito mais do que já tivemos. Também estamos aprendendo sozinhos. O sistema de controle, por exemplo, que é uma parte complicadíssima do foguete, funcionou perfeitamente. Esperamos que os voos experimentais do VLS-1 se iniciem em 2012 e ele esteja em operação em 2016.

A exemplo da fabricante de aviões americana, Boeing, que ajuda a Nasa na construção de foguetes, por que a AEB não conta com a parceria da Embraer? Não é uma possibilidade totalmente descartada. Na área espacial, todas as empresas fortes se envolvem com o Ministério da Defesa, que coordena a construção de foguetes. Metade dos artefatos que orbitam a Terra é militar. A Embraer vai construir um satélite geoestacionário, o primeiro brasileiro, e vai operá-lo junto com a Telebrás. O dinheiro, 700 milhões de reais, já está alocado. Os passos estão sendo dados.

O senhor disse na apresentação que o orçamento da AEB vai triplicar em dois anos, passando de 200 a 300 milhões de reais por ano, para algo entre 600 e 900 milhões de reais. Dado o histórico financeiro da agência, como o senhor espera que isso aconteça? É um caminho inevitável. O passo mais difícil já foi dado. Os satélites geoestacionários têm prazo de validade. Vamos precisar repô-los a cada 15 anos. Isso quer dizer que haverá uma indústria por trás da construção da sonda, indefinidamente. Daí a coisa começa a andar, em todos os setores. Se não fizermos isso, teremos que contratar o serviço. Estamos fazendo o satélite justamente para não termos que gastar 60 milhões por ano alugando dos outros. É por isso que esperamos que o governo mantenha o projeto em gestões futuras e o orçamento seja triplicado.

Atualmente a AEB gasta menos de 1% — do já reduzido orçamento — em ciência, cerca de três milhões de reais. Como a AEB espera avançar em conhecimento gastando tão pouco? Em 2012 estamos planejando gastar cinco vezes mais em ciência, algo na ordem de 15 milhões de reais. Estamos nos aproximando das universidades para que elas tenham equipes preparadas para atender as necessidades da agência e para que elas tenham espaço para realizar seus experimentos. 

Mas isso está longe de acontecer... É verdade. Mas veja, falo isso tranquilamente. Ainda não temos a garantia de que uma missão vai existir. Ninguém quer arriscar a carreira e chegar lá e não dar em nada. 

Então que cientista se arriscaria aliar-se à agência agora? Se garantirmos o acesso, o lançamento do projeto e o recurso financeiro, as coisas acontecem. Foi o que fizemos no Itasat, uma pequena plataforma de satélite desenvolvida pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica e outras instituições. 

O que foi feito? Garantimos o recurso, cerca de 5 milhões de reais e a plataforma foi desenvolvida com sucesso. Agência, indústria e cientistas trabalharam em conjunto. Há um desconto por causa do desenvolvimento tecnológico, mas ele será incremental. Vamos andar como todo mundo andou: aprenderemos a engatinhar, dar os passos depois correr. 

Qual é a nova missão da Agência Espacial Brasileira? Vamos publicar em janeiro um documento mostrando quais tecnologias que vão nos nivelar com outros países e quais são de vanguarda. Vamos organizar encontros, workshops e vamos nos aproximar dos cursos de engenharia espacial. Temos pesquisadores brasileiros que realizam pesquisas de ponta. Essas pessoas contribuem para o avanço do conhecimento, mas que não têm projetos voltados para as necessidades da AEB. A contradição está aí. Temos um capital humano preparado, mas eles não sabem dos nossos problemas. Vamos virar essa mesa e, com eles, faremos a coisa passo-a-passo.