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domingo, 22 de abril de 2012

Cientistas não encontram matéria escura no entorno do Sol



Telescópio não identifica rastros do misterioso elemento que formaria 23% do universo e ajudaria a explicar por que as galáxias giram tão rápido

Cientistas esperavam encontrar a matéria escura na vizinhança do Sistema Solar e foram surpreendidos. "Ela não está lá", dizem.
Cientistas esperavam encontrar a matéria escura na vizinhança do Sistema Solar e foram surpreendidos. "Ela não está lá", dizem. (iStockphoto/ThinkStock)

Um estudo sobre os movimentos das estrelas na Via Láctea revelou uma misteriosa falta de matéria escura na vizinhança do Sol. A pesquisa foi divulgada por cientistas do ESO (Observatório Europeu do Sul). O trabalho será publicado na próxima edição do periódico The Astrophysical Journal.


De acordo com a teoria mais aceita, as redondezas do Sol deveriam ser ocupadas por matéria escura, uma substância invisível e misteriosa que só pode ser detectada indiretamente, pela força gravitacional que exerce.

Saiba mais


MATÉRIA ESCURA
Quando os cientistas observam a forma com que estrelas e as galáxias se movem, há algo inusitado. Segundo as leis da física, as estrelas, planetas e corpos de uma galáxia deveriam se movimentar mais lentamente à medida em que se afastam do centro dela. Mas isso não acontece na prática.

Para que as equações da física façam sentido, é preciso que exista alguma força empurrando o amontoado de poeira, gás, estrelas e planetas da periferia das galáxias em velocidades semelhantes a de corpos que estão mais próximos do núcleo.
Essa força adicional compensaria a previsão física de que quanto mais longe do centro de uma galáxia mais lento é o movimento dos corpos. Essa força adicional, dizem os físicos, é a gravidade de uma manifestação da natureza que possui massa, mas não emite qualquer tipo de luz — ou radiação — que o homem consiga medir diretamente. É a matéria escura.

Contudo, o novo estudo, realizado em La Silla, Chile, não encontrou qualquer prova da presença de matéria escura em uma área relativamente grande do entorno do Sol. Os astrônomos mapearam os movimentos de mais de 400 estrelas situadas até 13.000 anos-luz da estrela. 

A partir dos dados captados, os especialistas calcularam a massa da matéria na vizinhança solar, em um volume quatro vezes maior do que antes estimado. A quantidade de massa corresponde às estrelas, poeira e gás nas vizinhanças do Sol.

Porém, os cientistas não encontraram qualquer vestígio da matéria escura. "Nossos cálculos mostram que ela claramente resultaria de nossas medições  mas ela não está lá!", afirmou o responsável da equipe, Christian Moni Bidin, da Universidade de Concepción, no Chile.

Matéria escura — Os cientistas acreditam que 23% da massa do universo é composta pela misteriosa matéria escura. Sua natureza, no entanto, continua desconhecida. Sua existência ajudaria a explicar por que partes externas das galáxias teriam uma velocidade de rotação tão grande.

"Mesmo que a matéria escura não exista nas redondezas do Sistema Solar, a Via Láctea deve certamente girar muito mais rápido do que podemos explicar apenas com a matéria visível", afirmou Bidin. "Uma nova explicação para o problema da massa faltante deve ser encontrada."

Os novos resultados significam também que as tentativas de detectar de forma direta as partículas de matéria escura na Terra, correm grande risco de não dar em nada, segundo o ESO.


(Com Agência France-Presse)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Telescópio Hubble começa a fazer censo da matéria escura

























O formato aparentemente distorcido das galáxias mais distantes no plano de fundo é atribuído à matéria escura.[Imagem: NASA/ESA/M. Postman(STScI)/CLASH]


Censo do Universo escuro
O Telescópio Espacial Hubble começou uma extensa campanha de observações cujo objetivo é fazer um mapa da matéria escuracom um nível de detalhamento sem precedentes.
Esta primeira imagem é do aglomerado de galáxias MACS J1206.2-0847.
O formato aparentemente distorcido das galáxias mais distantes no plano de fundo é atribuído à matéria escura, cuja gravidade curva e distorce os raios de luz emitidos por essas galáxias.
Os mapas da matéria escura são necessários para avaliar observações anteriores que causaram muita surpresa, indicando que a matéria escura poderia ser mais densa no interior desses aglomerados de galáxias.
Os resultados também indicam que as galáxias podem ter começado a se aglomerar antes do que se acreditava possível.
Enquanto a matéria comum, também chamada matéria bariônica, compõe apenas 4% do Universo, calcula-se que 22% seja composto por matéria escura e 76% porenergia escura escura.
Lente gravitacional
O programa CLASH (Cluster Lensing And Supernova survey with Hubble) vai observar 25 aglomerados de galáxias - até agora apenas seis foram monitorados.
O termo lensing refere-se ao efeito lente que a gravidade de corpos celestes - neste caso, da matéria escura - exerce sobre a luz.
Como a teoria da relatividade estabelece o efeito da gravidade sobre o tecido do espaço-tempo, os astrônomos rastreiam a matéria escura por seus efeitos gravitacionais sobre os corpos celestes de matéria ordinária - essencialmente medindo a distorção da luz de estrelas e galáxias muito distantes.
O efeito lente de um aglomerado de galáxias é tão grande que resulta em múltiplas imagens do mesmo objeto, como se pode ver na imagem feita pelo Hubble.
Estas distorções são vistas como indícios de que o componente principal da massa dos aglomerados galácticos é a matéria escura - as distorções seriam muito menores se lá houvesse apenas matéria bariônica.
Mas ainda há muita controvérsia entre os estudiosos sobre a matéria e a energia escuras. Enquanto alguns afirmam que a existência da matéria escura está comprovada, outros lançam dúvidas sobre a existência desse "lado escuro do Universo".

sábado, 21 de maio de 2011

Telescópio da NASA confirma que energia escura é real

                                              Os resultados dão suporte para a principal interpretação sobre como funciona a
                                               energia escura, e mais uma vez dão razão a Albert Einstein sobre a gravidade e
                                               a constante cosmológica. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]



Expansão do Universo
Uma pesquisa que durou cinco anos e cobriu 200.000 galáxias, levou a uma das melhores confirmações de que é mesmo a energia escura que está acelerando a expansão do Universo.
O estudo, que representa um retorno de até sete bilhões de anos no tempo cósmico, usou dados da sonda espacial Galex (Galaxy Evolution Explorer: Exploração da Evolução das Galáxias) e do Telescópio Anglo-Australiano instalado na montanha Siding Spring, na Austrália.
Os resultados dão suporte para a principal interpretação sobre como funciona aenergia escura - como uma força constante, afetando uniformemente o Universo e impulsionando sua expansão.
Por decorrência, os dados contradizem uma teoria alternativa, que propõe que seria a gravidade, e não a energia escura, a força que impulsionaria a expansão do Universo. De acordo com esta teoria alternativa, com a qual os novos resultados não são consistentes, o conceito de Albert Einstein da gravidade estaria errado, e gravidade tornar-se-ia repulsiva, ao invés de atrativa, quando atuando em grandes distâncias.
"Os resultados nos dizem que a energia escura é uma constante cosmológica, como Einstein propôs. Se a gravidade fosse a responsável, então não estaríamos vendo esses efeitos constantes da energia escura ao longo do tempo," explica Chris Blake, da Universidade de Tecnologia Swinburne, na Austrália, e líder da pesquisa.
Energia escura
Acredita-se que a energia escura domine o nosso Universo, perfazendo cerca de 74 por cento dele. A matéria escura, uma substância não menos misteriosa, é responsável por 22 por cento. A chamada matéria normal, ou matéria bariônica - qualquer coisa que tenha átomos - representa apenas cerca de 4% do cosmos.
ideia da energia escura foi proposta durante a última década, com base em estudos de estrelas distantes que explodiram, conhecidas como supernovas.
As supernovas emitem uma luz constante e mensurável, o que as torna uma referência inigualável, que permite o cálculo de sua distância da Terra com grande precisão.
As observações revelaram que algo - que veio a ser chamado de energia escura - estava fazendo aumentar a aceleração desses objetos celestes.
Telescópio Galex confirma que energia escura é real
O observatório de ultravioleta GALEX (Galaxy Evolution Explorer) foi lançado no dia 28 de Abril de 2003. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]
Energia escura versus gravidade
A energia escura disputa um cabo-de-guerra com a gravidade.
A teoria atual propõe que, no início do Universo, a gravidade assumiu a liderança, dominando a energia escura.
Cerca de 8 bilhões de anos após o Big Bang, com o espaço se ampliando e a matéria se diluindo, as atrações gravitacionais enfraqueceram e a energia escura tirou o atraso.
Se isto estiver correto, daqui a bilhões de anos a energia escura será ainda mais dominante.
Os astrônomos preveem que o nosso Universo será um verdadeiro deserto cósmico, com as galáxias se distanciando tanto umas das outras que quaisquer seres que viverem dentro delas não serão capazes de ver outras galáxias.
Era da energia escura
Esta é a primeira vez que astrônomos fazem essa checagem cobrindo todo o período de vida do Universo desde que ele foi dominado pela energia escura.
A equipe começou montando o maior mapa tridimensional já feito das galáxias do Universo distante. Isto foi feito pelo Telescópio de ultravioleta GALEX, que mapeou cerca de três quartos do céu, observando centenas de milhões de galáxias.
O Telescópio Anglo-Australiano coletou informações detalhadas sobre a luz de cada galáxia, o que permitiu estudar o padrão de distância entre elas - ondas sônicas do Universo jovem deixaram marcas nos padrões de galáxias, fazendo com que pares de galáxias sejam separados por aproximadamente 500 milhões de anos-luz.
Essa "régua padrão" foi usada para determinar a distância entre os pares de galáxias e a Terra - quanto mais próximo um par de galáxia estiver de nós, mais distantes elas irão aparecer uma da outra no céu.
Tal como acontece com os estudos de supernovas, estes dados de distância foram combinados com informações sobre as velocidades nas quais os pares estão se afastando de nós, revelando, mais uma vez, que o tecido do espaço está se esticando cada vez mais rápido.