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sábado, 15 de setembro de 2012

A Voyager 1 ainda não encontrou a fronteira final do Sistema Solar


15.09.2012 - 15:03 Por Nicolau Ferreira

A Voyager 1 fotografou Júpiter (na imagem) e Saturno antes de iniciar a missão interestelar 
A Voyager 1 fotografou Júpiter (na imagem) e Saturno antes de iniciar a missão interestelar (NASA)
Afinal, onde é que está a Voyager 1? No site da NASA os números correm em tempo real, e dizem-nos que a sonda lançada há 35 anos está a 18,2 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, ou seja, o equivalente a 121,9 vezes a distância que existe entre o nosso planeta e o Sol. A Voyager 1 está muito para lá da órbita de Plutão ou de qualquer outro instrumento enviado para o espaço. Mas, de acordo com um trabalho publicado recentemente na Nature, não se sabe qual a sua posição em relação ao limite do Sistema Solar e a sonda pode ainda levar algum tempo a passar esta última fronteira e entrar finalmente no espaço interestelar.

O Sistema Solar tem o formato de um cometa com uma cauda, que viaja pelo espaço, orbitando em torno do centro da Alfa do Centauro. O Sol está situado no centro da cabeça deste "cometa" e gira lentamente à volta do núcleo da nossa galáxia. Um dos efeitos da sua actividade é a emissão constante de um fluxo de protões e electrões que são expulsos do Sol com muita energia e velocidade, originando o vento solar.

Mas estas partículas vão desacelerando. Em teoria, existe uma fronteira em que as partículas já não empurram o meio intergaláctico, que tem uma constituição de partículas diferente. Mas até onde existe, o vento solar produz no espaço uma atmosfera própria chamada heliosfera que determina as fronteiras do Sistema Solar. À frente do Sol e devido ao movimento da estrela, a espessura da heliosfera é mais pequena. É no limite desta região que a Voyager 1, a sonda da agência espacial norte-americana (NASA), viaja.

Esperava-se, no ano passado, que a máquina ultrapassasse a fronteira do Sistema Solar, depois de as suas medições mostrarem que as velocidades das partículas caíram para zero. Esta observação ia ao encontro do que os cientistas defendiam: a dado momento, depois de viajarem no espaço, as partículas solares deixariam de ter força para empurrar o espaço interestelar e, em vez disso, iniciariam um movimento lateral, tal como acontece quando um fluxo de água embate numa superfície sólida. Desta forma, haveria uma região entre o espaço interestelar e a heliosfera chamado heliopausa.

Mas Robert Decker e Stamatios Krimigis, dois dos autores do artigo da Nature, não mediram esta corrente lateral de partículas. "Concluímos que a Voyager 1 não está neste momento perto da heliopausa, pelo menos na forma como [esta região] foi imaginada", lê-se no artigo da equipa do laboratório de física aplicada da Universidade de Johns Hopkins. O que, em boa medida, significa que, mais de três décadas depois de ter saído da Terra, a sonda continua a surpreender-nos com as suas descobertas.

A Voyager 1 está hoje numa missão interestelar, mas nem sempre foi assim. O objectivo inicial desta sonda e da Voyager 2 - a outra sonda da missão que também continua viva e também se dirige para os confins do Sistema Solar, apesar de não estar tão afastada da Terra -, era o estudo de Júpiter, Saturno e as luas que giram em torno destes planetas.

A Voyager 2 foi lançada a 20 de Agosto de 1977. No mês seguinte, a 5 de Setembro de 1977, a Voyager 1 saiu da Terra. A NASA aproveitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, os quatro planetas mais distantes do Sol, estarem em posições óptimas nas suas órbitas para as sondas passarem por eles em tempo-recorde. Nos anos seguintes, as duas sondas passaram por Júpiter e Saturno. Mais tarde, a humanidade teve a oportunidade de ver as primeiras fotografias de sempre de Úrano e Neptuno tiradas pela Voyager 2. Desde que a sonda se afastou de Neptuno para entrar na sua missão interestelar, em 1989, quase dez anos depois da Voyager 1 rumar em direcção à fronteira do Sistema Solar, que mais nenhum aparelho tirou imagens dos dois planetas mais longínquos.

Em 1990, começou oficialmente a missão interestelar. Hoje a Voyager 1 tem alguns instrumentos a funcionar, mas continua a transmitir informação para a Terra, que demora 17 horas para chegar cá. Para testar se existia um fluxo lateral de partículas, a equipa de Decker e Krimigis enviou um comando para a sonda girar em torno de si própria sete vezes, mas não descobriu o movimento de partículas que procurava. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Nasa lança sondas para estudar anéis de radiação em volta da Terra


Os satélites foram desenvolvidos para analisar a forma como o Sol, e em particular as tempestades solares, afetam o entorno terrestre em várias escalas de espaço e tempo



AS SONDAS pesam mais de 635 quilos cada uma e medem 1,85m de largura e 90cm de altura
Foto: Divulgação/Nasa
AS SONDAS pesam mais de 635 quilos cada uma e medem 1,85m de largura e 90cm de altura Divulgação/Nasa
A Nasa lançou nesta quinta-feira, no Cabo Canaveral, na Flórida, um foquete que deverá pôr em órbita duas sondas para estudar a influência do Sol sobre a Terra e os anéis de radiação no entorno. O Atlas V subiu por volta de 5h, após vários adiamentos devido a problemas técnicos e ao mau tempo na região, dada a proximidade da tempestade tropical Isaac.
A missão, denominada Radiation Belt Storm Probes (RBSP), tem o objetivo de estudar os cinturões de Van Allen, dois anéis formados por partículas carregadas que ficam presas na região pelo campo magnético do planeta. A importância está no fato de que todos os equipamentos em órbita estão sob a influência da radiação do cinturão, o que pode danificar circuitos eletrônicos e painéis solares.
As sondas foram desenvolvidas para analisar a forma como o Sol, e em particular as tempestades solares, afetam o entorno terrestres em várias escalas de espaço e tempo. As duas terão órbitas quase idênticas, que irão cobrir toda a região dos cinturões e deverão se cruzar várias vezes. Elas pesam mais de 635 quilos cada uma e medem 1,85m de largura e 90cm de altura.
Já os instrumentos transportados pelos satélites proporcionarão as medições de que os cientistas necessitam para compreender os mecanismos que dotam as partículas eletrificadas de grande velocidade e energia.

domingo, 20 de maio de 2012

Vênus transita em frente ao Sol em junho pela última vez até 2117



Pesquisadores aproveitam estes fenômenos para testar novas técnicas e métodos de visualização de planetas distantes da Terra


Efe

Vênus se deslocou pela frente do Sol em seis ocasiões e cientistas fizeram centenas de estudos - Divulgação
Divulgação
Vênus se deslocou pela frente do Sol em seis ocasiões e cientistas fizeram centenas de estudos



 O planeta Vênus poderá ser visto em junho durante o trânsito em frente ao Sol, um fenômeno que não ocorrerá novamente até 2117 e ajudará na busca de exoplanetas, informou a revista britânica "Nature".

Vênus, o segundo planeta do Sistema Solar em ordem de distância do Sol e o terceiro menor, transitará diante do "astro rei" entre 5 e 6 de junho, disse o astrônomo Jay Pasachoff, da Williams College (EUA), em um artigo publicado pela revista.

"Esperamos que o trânsito de Vênus nos proporcione uma visualização de exoplanetas", explicou o astrônomo. Apesar de Vênus ser visível a partir da Terra em poucas ocasiões, Pasachoff confia que neste ano a visualização seja melhor que a de 2004, já que a atividade solar é mais intensa agora.

Os pesquisadores aproveitam estes fenômenos para testar novas técnicas e métodos de visualização de planetas distantes da Terra. "Os cientistas de hoje enviam sondas espaciais a outros planetas para uma apuração mais detalhada, mas a observação desses fenômenos a partir do nosso planeta nos proporciona uma informação única e nos dá a oportunidade de melhorar nossos métodos de busca a exoplanetas", explicou Pasachoff.

O fenômeno será registrado pelo satélite da Nasa "ACRIMSAT", que oferecerá uma imagem similar à obtida a partir de outros satélites e telescópios como o Kepler, especificou o cientista. A equipe de Pasachoff se concentrará no estudo da atmosfera de Vênus, visível graças aos raios que atravessarão durante o percurso pela frente do Sol. Os dados recopilados serão comparados com os obtidos na observação das atmosferas de exoplanetas, destacou o astrônomo.

Desde o século XVII, quando foram inventados os primeiros telescópios, Vênus se deslocou pela frente do Sol em seis ocasiões (1639, 1761, 1769, 1874, 1882 e 2004). Em todos eles, os cientistas realizaram centenas de estudos e medições com o objetivo de resolver um dos maiores mistérios da astronomia da época: calcular a distância entre a Terra e o Sol.

Pasachoff reconheceu que é cedo para saber como ajudará no estudo dos trânsitos no Sistema Solar na observação dos exoplanetas distantes, mas ressaltou que esses deslocamentos são raros e não devem ser desperdiçados.

"Devemos isso aos futuros astrônomos, especialmente para aqueles que observarão o fenômeno em 2117", disse Pasachoff.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sonda espacial revela segredos do maior vulcão do Sistema Solar



Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/05/2012 

O maior vulcão do Sistema Solar, o Monte Olimpo marciano, com sua altitude codificada em cores, do branco (mais alto) até o azul (mais baixo).[Imagem: ESA/DLR/FU Berlin/G. Neukum] 


Vulcões de Marte 

A análise de dados da sonda Mars Express, da ESA, adquiridos ao longo de cinco anos, resultou na revelação de alguns mistérios escondidos por baixo dos maiores vulcões de Marte e dessa parte da galáxia. 

O estudo inclui o Monte Olimpo, o vulcão mais alto do Sistema Solar, com 21 quilômetros de altitude. 

O vulcão mais alto da Terra é o Ojos del Salado, entre o Chile e a Argentina, com 6,8 km. O Monte Everest, que não é um vulcão, mas é a montanha mais alta da Terra, mede 8,8 km. 

Ao lado do Monte Olimpio segue-se uma fila com os três vulcões menores da região conhecida como Tharsis, a mesma onde os cientistas acreditam que crateras possam abrigar vida microbiana

As últimas atividades vulcânicas da região devem ter ocorrido entre 100 e 250 milhões de anos atrás, o que é bastante recente numa escala de tempo geológico. 

Vulcão influencia órbita da sonda espacial 

A grande massa dos vulcões marcianos causou pequenas oscilações na trajetória daMars Express quando esta sobrevoou a região, a cerca de 300 km de altitude. 

Estas oscilações foram medidas através de radiolocalização e traduzidas em medidas de variação da densidade abaixo da superfície de Marte. 

Geralmente, a alta densidade dos vulcões corresponde a uma composição basáltica que está de acordo com os muitos meteoritos "marcianos" que caíram na Terra. 

Os dados mostram que a lava se adensou ao longo do tempo, e que a espessura das camadas rígidas exteriores do planeta varia ao longo da região. 


A grande massa dos vulcões de Marte afetaram a órbita da sonda Mars Express em uma magnitude que pôde ser monitorada pelo seu altímetro. [Imagem: NASA] 

Ela começou como uma lava andesítica leve, que pode formar-se na presença de água, e foi mais tarde revestida com lava basáltica, mais pesada, a que se vê hoje na superfície de Marte. 

"Combinando estes dados com a variação de alturas dos vulcões, podemos dizer que o Monte Arsia é o mais antigo, seguido do Monte Pavonis e por fim o Monte Ascraeus," disse Mikael Beuthe, do Observatório Real da Bélgica e o primeiro autor do estudo. 

Contrário da Terra 

A variação da composição da lava pode ser resultado de alterações no aquecimento subterrâneo, sob a forma de uma única pluma mantélica - uma ascensão de rocha anormalmente quente das profundezas do manto viscoso. 

Essa ocorrência pode ter se deslocado lateralmente ao longo de milhões de anos, formando cada um dos três montes de Tharsis. 

Este processo é exatamente oposto ao da Terra, onde as placas da crosta se movem em cima de uma pluma estacionária para formar cadeias de vulcões. 

Os dados também descrevem a espessura da litosfera - a camada mais externa do planeta, incluindo a região superior do manto - e permitiram encontrar variações surpreendentes entre o Monte Olimpo e os montes de Tharsis, com os três vulcões menores revelando "raízes" com densidades muito mais elevadas do que o Monte Olimpo. 

Estas raízes podem ser bolsas de lava densa solidificada ou uma antiga rede de câmaras magmáticas subterrâneas. 

"Estes resultados mostram que os dados sobre o interior de Marte são a chave para compreender a evolução do planeta vermelho", diz Olivier Witasse, cientista do projeto Mars Express. "Uma opção para futuras missões a Marte seria criar uma rede de pequenas sondas que medissem simultaneamente a atividade sísmica de forma a explorar o interior do planeta."

domingo, 6 de maio de 2012

Descoberta nova pista sobre futuro do sistema solar




Material rochoso orbita em torno de uma estrela-anã.
Material rochoso orbita em torno de uma estrela-anã. Fotografia © 
Mark A. Garlick/space-art.co.uk/University of Warwick

Foram descobertos detritos de planetas rochosos com propriedades semelhantes à Terra, no âmbito de uma investigação realizada através do telescópio espacial Hubble. Este cenário poderá ser o futuro do sistema solar.
Astrofísicos da Universidade de Warwick, em Inglaterra, descobriram quatro estrelas anãs brancas, envolvidas em poeira proveniente de corpos planetários, que originalmente tinham grandes semelhanças com a composição da Terra.
Estas descobertas, proporcionadas através da utilização do telescópio espacial Hubble, permitiram o conhecimento da composição química atmosférica das estrelas anãs brancas, sendo que os investigadores concluíram que os elementos mais comuns presentes nesta poeira são oxigénio, magnésio, ferro e silício, que compõem cerca de 93% da Terra.
A revelação mais significativa desta investigação é o facto de os níveis de carbono serem extremamente baixos, o que condiz com a composição da Terra e de outros planetas em órbita perto do Sol.
Esta é a primeira vez que são medidos níveis tão baixos de carbono na atmosfera das estrelas anãs brancas, que está poluída por detritos. Assim, é provável que estas estrelas tenham estado perto de planetas semelhantes à Terra e que foram entretanto destruídos. É inevitável pensar que o mesmo acontecerá com o nosso planeta, num futuro provavelmente muito distante.
Estas atmosferas são feitas de hidrogénio e/ou hélio, fazendo com que qualquer elemento pesado que entre nesta atmosfera seja arrastado para o seu núcleo e desapareça, numa questão de dias, devido à elevada gravidade das estrelas anãs.

domingo, 22 de abril de 2012

Cientistas não encontram matéria escura no entorno do Sol



Telescópio não identifica rastros do misterioso elemento que formaria 23% do universo e ajudaria a explicar por que as galáxias giram tão rápido

Cientistas esperavam encontrar a matéria escura na vizinhança do Sistema Solar e foram surpreendidos. "Ela não está lá", dizem.
Cientistas esperavam encontrar a matéria escura na vizinhança do Sistema Solar e foram surpreendidos. "Ela não está lá", dizem. (iStockphoto/ThinkStock)

Um estudo sobre os movimentos das estrelas na Via Láctea revelou uma misteriosa falta de matéria escura na vizinhança do Sol. A pesquisa foi divulgada por cientistas do ESO (Observatório Europeu do Sul). O trabalho será publicado na próxima edição do periódico The Astrophysical Journal.


De acordo com a teoria mais aceita, as redondezas do Sol deveriam ser ocupadas por matéria escura, uma substância invisível e misteriosa que só pode ser detectada indiretamente, pela força gravitacional que exerce.

Saiba mais


MATÉRIA ESCURA
Quando os cientistas observam a forma com que estrelas e as galáxias se movem, há algo inusitado. Segundo as leis da física, as estrelas, planetas e corpos de uma galáxia deveriam se movimentar mais lentamente à medida em que se afastam do centro dela. Mas isso não acontece na prática.

Para que as equações da física façam sentido, é preciso que exista alguma força empurrando o amontoado de poeira, gás, estrelas e planetas da periferia das galáxias em velocidades semelhantes a de corpos que estão mais próximos do núcleo.
Essa força adicional compensaria a previsão física de que quanto mais longe do centro de uma galáxia mais lento é o movimento dos corpos. Essa força adicional, dizem os físicos, é a gravidade de uma manifestação da natureza que possui massa, mas não emite qualquer tipo de luz — ou radiação — que o homem consiga medir diretamente. É a matéria escura.

Contudo, o novo estudo, realizado em La Silla, Chile, não encontrou qualquer prova da presença de matéria escura em uma área relativamente grande do entorno do Sol. Os astrônomos mapearam os movimentos de mais de 400 estrelas situadas até 13.000 anos-luz da estrela. 

A partir dos dados captados, os especialistas calcularam a massa da matéria na vizinhança solar, em um volume quatro vezes maior do que antes estimado. A quantidade de massa corresponde às estrelas, poeira e gás nas vizinhanças do Sol.

Porém, os cientistas não encontraram qualquer vestígio da matéria escura. "Nossos cálculos mostram que ela claramente resultaria de nossas medições  mas ela não está lá!", afirmou o responsável da equipe, Christian Moni Bidin, da Universidade de Concepción, no Chile.

Matéria escura — Os cientistas acreditam que 23% da massa do universo é composta pela misteriosa matéria escura. Sua natureza, no entanto, continua desconhecida. Sua existência ajudaria a explicar por que partes externas das galáxias teriam uma velocidade de rotação tão grande.

"Mesmo que a matéria escura não exista nas redondezas do Sistema Solar, a Via Láctea deve certamente girar muito mais rápido do que podemos explicar apenas com a matéria visível", afirmou Bidin. "Uma nova explicação para o problema da massa faltante deve ser encontrada."

Os novos resultados significam também que as tentativas de detectar de forma direta as partículas de matéria escura na Terra, correm grande risco de não dar em nada, segundo o ESO.


(Com Agência France-Presse)

sábado, 14 de abril de 2012

Formação do Sistema Solar é semelhante a de outros sistemas planetários



Estudo comparou dados e concluiu que o modo como o Sistema Solar foi formado serve como regra para criação de outros sistemas

Exoplaneta fora Sistema Solar
Imagem de planeta fora do Sistema Solar (Reprodução)

Um estudo publicado pela revista Astronomy&Astrophysics mostrou que o alinhamento das órbitas de exoplanetas (planetas que orbitam outra estrela que não seja o sol) é semelhante ao encontrado no Sistema Solar. Para chegar a essa conclusão, um grupo de cientistas do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e do Observatório de Genebra fez comparações dos dados encontrados pelo espectrógrafo HARPS com aqueles mostrados pelo satélite Kepler.

Saiba mais


HARPS
O High Accuracy Radial velocity Planet Searcher é um instrumento de alta precisão instalado em 2002 no telescópio de 3,6 metros no Observatório de La Silla, Chile. Ele utiliza a técnica da velocidade radial para encontrar planetas fora do Sistema Solar e possui uma precisão de 1 metro por segundo. A Terra, por exemplo, induz uma velocidade radial de 9 centímetros por segundo no Sol.


MÉTODO DE TRÂNSITO 
Medição da diminuição da luz de uma estrela, provocada pela passagem de um exoplaneta à frente dessa estrela (algo semelhante a um microeclipse). Através de um trânsito é possível determinar apenas o raio do planeta. Este método é complicado de usar, porque exige que o(s) planeta(s) e a estrela estejam exatamente alinhados com a linha de visão do observador. 

MÉTODO DA VELOCIDADE RADIAL
Detecta exoplanetas medindo pequenas variações na velocidade da estrela causadas devido ao movimento que a órbita desses planetas imprime na estrela. A variação de velocidade que o movimento da Terra imprime ao Sol é de apenas 10 cm/s (cerca de 0,36 km/h).

Segundo o coordenador do estudo, Pedro Figueira, do CAUP, "estes resultados mostram que a maneira como o Sistema Solar se formou deve ser comum. A sua estrutura é a mesma que a dos sistemas planetários que estudamos, isto é, com todos os planetas orbitando aproximadamente no mesmo plano."
Para os pesquisadores, os resultados agora publicados são muito importantes para a compreensão do mecanismo de formação e evolução de planetas extra-solares. Ele mostra que as órbitas planetárias são predominantemente alinhadas, reforçando a ideia de que os planetas formam-se em um disco ao redor das estrelas.
A procura por exoplanetas esses astros é feita atualmente pelo método de trânsito ou pelo método da velocidade radial.
Para a realização desse trabalho, foram simulados 100 milhões de sistemas planetários com base em características previstas pelo HARPS. Ao comparar os resultados do HARPS com aqueles obtidos pelo Kepler, os estudiosos encontraram compatibilidade apenas nos sistemas que têm plano orbital comum, ou seja, naqueles em que as órbitas dos planetas estão inclinadas em menos de um grau entre si.
Assista aos vídeos abaixo para entender a diferença entre órbitas de planos iguais (a norma no Sistema Solar) ou distintos:
Órbitas de planos diferentes ou não complanares
Órbitas de mesmo plano ou complanares