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sábado, 17 de março de 2012

A guerra da informação digital

Por Eduardo Febbro
Guy Fawkes nunca pensou que sobreviveria a tantos séculos, e menos ainda que, mais de quatrocentos anos depois de suas andanças, a máscara que o representa se converteria em pleno século 21 no emblema daqueles que – desde os indignados até os guerreiros digitais do Anonymous, passando por toda a galáxia dos grupos antiglobalização – se opõem ferreamente à ordem de um mundo ultraliberal, depredador e indolente.
Este católico que, no dia 5 de novembro de 1605, quase conseguiu fazer voar pelos ares o Parlamento inglês com 30 quilos de pólvora, com o rei James I dentro, é o rosto oficial da revolta ocidental e, mais precisamente, o distintivo com o qual o grupo de hackers reunido sob a denominação de “Anonymous” se apresenta ao mundo. Suas ações já são parte da resistência permanente contra toda forma de violação de liberdade segundo os critérios com os quais Anonymous a entende.
Presente há vários anos na cena do hacking contestatório, Anonymous ganhou fama quando, em 2010, em plena ofensiva oficial contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, o grupo atacou as empresas multinacionais que tinham se somado ao boicote instrumentalizado pelo governo dos EUA contra todas as fontes de financiamento do WikiLeaks: os portais de Amazon, PayPal, Visa, MasterCard e Postfinance, a filial dos serviços financeiros dos correios suíços, foram bloqueados pela operação Payback, montada por Anonymous contra essas empresas que, sem qualquer ordem judicial, trataram de impedir que o dinheiro chegasse ao WikiLeaks.
A herança da cultura contestatória
Era a primeira vez na história que se realizava uma ofensiva dessa magnitude não mais em nome do ciberanarquismo, mas sim, em defesa de certa forma de liberdade.
Quem são e de onde vêm esses valentes que ousaram penetrar as portas mais protegidas para ferir o coração do sistema? Frédéric Bardeau e Nicoals Danet, os autores de um destacado ensaio sobre Anonymous (“Anonymous: piratas informáticos ou altermundistas digitais?”), descrevem a influência desta galáxia sem hierarquia nem manual de instruções como “um movimento que modifica a relação de formas no interior da sociedade”.
De ação em ação, Anonymous instalou-se na paisagem política mundial e excedeu em muito a herança de seus pais culturais, a saber, toda a cultura contestatória norte-americana dos anos 70 perfeitamente representada por Stephen Wozniak, cofundador da Apple, e Richard Stallman, o iniciador do projeto GNU.
Nem piratas, nem terroristas
Anonymous se plasmou em quatro operações muito ousadas. A primeira: os ataques contra a igreja da Cientologia, em 2008. A segunda: a ciberofensiva contra o escritório de advocacia Baylout, defensores dos direitos autorais da indústria do disco e do cinema nos Estados Unidos, e contra o portal da Motion Picture Association of America (MPAA), associação que o Anonymous persegue por suas “políticas excessivas” na proteção dos direitos autorais. Terceira: a intervenção a favor de Assange no que ficou conhecido como o primeiro episódio de uma autêntica guerra da rede. Coldblood, um dos porta-vozes do Anonymous, explicou então que a operação em defesa de Assange estava se convertendo em uma guerra, mas não uma guerra convencional. “É uma guerra de informação digital. Queremos que a internet siga sendo livre e aberta para todo mundo, como sempre foi.” O quarto episódio remonta ao dia 19 de janeiro, logo após o fechamento do site Megaupload e a prisão de seu criador, o multimilionário Kim Schmitz. Lançados dos quatro pontos cardeais do planeta, os ataques orquestrados por Anonymous bloquearam os portais do Ministério da Justiça dos EUA, da Casa Branca, da Warner, da Universal, do FBI, do organismo que supervisiona a internet na França, Hadopi, e a estrutura que administra os direitos de autor, a Sacem. Anonymous conseguiu, inclusive, penetrar no portal da presidência francesa e modificar as mensagens de boas-vindas.
A quinta e última ação ocorreu há apenas alguns dias. Um grupo que se identificou como Anonymous divulgou a gravação de uma “reunião” telefônica entre o FBI e a polícia britânica na qual se falava de ações contra os ciberativistas. Onde estão, para conseguirem se meter nestas conversas tão íntimas? “Em todas as partes”, respondem Frédéric Bardeau e Nicolas Danet, os autores do ensaio sobre Anonymous. Estes dois especialistas observam que os Anonymous não são piratas propriamente, pois não roubam nada. Tampouco são “terroristas”, mas “um fenômeno muito mais vago cujo único fio condutor é a defesa da liberdade de expressão”. Bardeau e Nadet contam que, em certo momento, “a CIA tentou realizar um perfil dos simpatizantes de Anonymous: era tão indefinido que terminava apontando para a metade do planeta”.
“Somos legião”
Seu lema tornou-se realidade: “Somos legião.” Neste sentido, Frédéric Bardeau destaca que os Anonymous não se enquadram em nenhum rótulo. “Não são nem anarquistas, nem sindicalistas revolucionários, nem marxistas. É um movimento pós-moderno, anônimo, planetário, descentralizado. Entre os Anonymous do Brasil, muito fortes e mobilizados contra a corrupção, e os da Áustria e Alemanha, todos antifascistas, não há unidade, mas sim, denominadores comuns como a liberdade e a neutralidade da rede.” Diferentemente dos indignados ou de outros movimentos antiglobalização, Anonymous atua a partir do anonimato: não há partido político, nem fórum, nem cúpula, nem manifestação. Sua identidade física é a máscara de um militante católico britânico do século 16 e seus territórios são estes: irc.anonops.li, twitter@AnonOps, @AnonymousIRC, Facebook Anonymous, AnonOps.blogspot.com.
A origem do nome provém dos fóruns anárquicos 4chan[4chan é um imageboard em inglês. Lançado em 1º de outubro de 2003, seus sub-fóruns eram originalmente usados para postagem de imagens e discussão sobre mangás e animes. Os usuários geralmente postam anonimamente e o site já foi relacionado com subculturas da Internet e ativismo (Wikipédia)]. Neste portal norte-americano é fácil inscrever-se e cada participante recebe o pseudônimo de “Anonymous”. Estão em muitos lugares ao mesmo tempo, alguns são hackers aficionados, outros não, universitários, empregados, militantes de uma ou de muitas causas. Anonymous realiza à sua maneira o desejo não confesso de muitos cidadãos do planeta: colocar uma pedra na engrenagem da perfeição ultraliberal, abrir a cortina de sociedades ultrapoliciais que só protegem os interesses do poder. Nicolas Danet comenta que “Anonymous é um pouco como o voo dos pássaros migrantes. Formam uma massa que conhece o objetivo, mas um pássaro pode deixar o grupo a qualquer momento”. Os vídeos de Anonymous já são famosos, tanto pelo conteúdo como pela voz metálica que anuncia: “Somos legião. Não perdoaremos, não esqueceremos. Tenham medo de nós”.

[Eduardo Febbro é da Agência Carta Maior, em Paris]

terça-feira, 13 de março de 2012

Corpo de Bombeiros decide pela expulsão do cabo Daciolo

Redação SRZD | Rio+ | 12/03/2012 20h42


Foto: Reprodução de TVO Conselho de Disciplina do Corpo de Bombeiros do Rio ficou reunido, desde a manhã desta segunda-feira, e decidiu pela expulsão do cabo Benevenuto Daciolo. Acusado de incitamento à greve, ele foi considerado o pivô da paralisação da categoria, em fevereiro deste ano.
De acordo com a assessoria da Defesa Civil, o grupo redigiu um relatório no qual ficou atestado que ele e mais 12 militares foram considerados "culpados por articulação em manifestações de caráter político-partidário, nas quais incitaram ostensivamente a tropa à prática de ilícitos de natureza disciplinar e penal militar, além da adoção de conduta incompatível com a missão de Bombeiro-militar'.
Além de Daciolo, o Corpo de Bombeiros decidiu por retirar do quadro os cabos Alexandre Salvador de Azevedo, Paulo Roberto Noronha dos Santos Junior, Adhemar de Queiroz Balthar Junior e Andrei Carlos Azevedo dos Santos, os sargentos Heraldo Correia Vieira, Alexandre Gomes Matias, Wallace Rodrigues Chaves, Harrua Leal Ayres, André Manoel Pontes Matos, Daniel Alves dos Santos e Paulo Edson de Campos do Nascimento, além do subtenente Valdelei Duarte.
Preso por 16 dias
Daciolo chegou a ficar preso por 16 dias no Grupamento Especial Prisional (GEP), em São Cristóvão, na Zona Norte da cidade. No entanto, no dia 24 de fevereiro, ele foi libertado.
Em entrevista coletiva concedida no dia 9 de fevereiro, o comandante da Defesa Civil, Sérgio Simões, disse que Daciolo já tinha um histórico de problemas. Na ocasião, ele explicou que o cabo vinha se envolvendo em uma sequência de crimes do código militar e transgressões disciplinares há cerca de oito meses, mas havia sido beneficiado pela anistia.
- 'Não se pode dizer que estão expulsos ainda', diz advogada


Fonte: http://www.sidneyrezende.com/noticia/164890+corpo+de+bombeiros+decide+pela+expulsao+do+cabo+daciolo




Regredimos algumas décadas.
Momento estranho esse, que estamos vivendo.

O que virá depois? 





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

União investiga origem da escritura de Pinheirinho


A dúvida quanto à idoneidade da escritura surgiu a partir de uma entrevista com Benedito Bento Filho, empresário que vendeu o terreno à Selecta, em 1981

O governo federal irá investigar a origem da titularidade do terreno de Pinheirinho, pertencente à massa falida da Selecta S/A, do investidor Naji Nahas. A dúvida quanto à idoneidade da escritura (se é grilada ou não) surgiu a partir de uma entrevista publicada no jornal Folha de S.Paulo, no último dia 29, com Benedito Bento Filho, empresário do ramo imobiliário, que vendeu o terreno à Selecta, em 1981.
Na entrevista, Bento Filho, 75, também conhecido como Comendador Bentinho, conta que adquiriu o terreno onde fica Pinheirinho, com cerca de 1,3 milhão de metros quadrados, de Reston Lahud e Salim Lahud Neto, em junho de 1978. O que chamou atenção do governo federal foi o fato de Bento Filho dizer que a Chácara Régio, que pertencia à família de alemães Kubitzky, nunca esteve dentro de Pinheirinho.
Os irmãos Kubitzky, Hermann Paul, Arthur Moritz, Erma Erica e Frida Elza, a mais nova com 68 anos e o mais velho com 76 anos, foram assassinados no dia primeiro de julho de 1969, por quatro jovens - um de 23 anos, e outros três menores de idade. Como não tinham herdeiros, e nem foram casados, tanto o terreno - onde ficava a Chácara Régio, com 30 mil metros quadrados, dentro da área de Pinheirinho -, quanto seus demais bens financeiros ficaram com o Estado.
"Eu tinha 16 anos quando esses quatro irmãos foram assassinados e lembro perfeitamente do caso. O bairro onde Pinheirinho se insere chama-se Campo dos Alemães, onde a Chácara Régio ficava. É um dever nosso investigar se toda essa passagem é correta", afirmou o secretário Nacional de Articulação Social da Presidência, Paulo Maldos, que participou junto com representantes do Ministério das Cidades, Secretaria de Patrimônio da União e Advocacia Geral da União, de reunião para encontrar soluções para as seis mil famílias que ficaram desalojadas após a reintegração de posse do terreno, realizada no domingo 22 de janeiro, às 6 horas da manhã.
O repórter Igor Carvalho, da Revista Fórum, publicou recentemente parte de levantamento do histórico de titulares do terreno. Através da certidão retirada em cartório, verificou que o terreno onde se encontra Pinheirinho se chamava Bairro do Rio Comprido e pertencia a Bechara Lahud, passando em fevereiro de 1962 para Paulo Lahud e Reston Lahud. Foi vendido em junho de 1978 para Benedito Bento Filho. E em dezembro de 1982 para a Selecta S/A.
Como não é impossível registros em cartórios serem adulterados, Maldos explica que as investigações serão feitas não apenas pela matrícula do imóvel. O levantamento deverá ser entregue em uma próxima reunião entre secretarias, prevista para o dia 14 de fevereiro.
Pouco tempo depois do assassinato dos Kubitzky a imprensa divulgou que o terreno deveria ficar mesmo com o Estado, possivelmente com a Universidade de São Paulo (USP). Mas, segundo assessoria da Advocacia Geral da USP, o terreno não ficou com a instituição.
Possível futuro das famílias de Pinheirinho
Maldos explicou que, além das investigações quanto à titularidade do terreno de Pinheirinho, o encontro entre secretarias e AGU serviu para estruturarem proposta para realojar as famílias. Uma delas é aproveitar a divida que a própria Selecta S/A tem com a União, hoje calculada em R$ 11 milhões de impostos atrasados. A ideia é transformar o débito em parte física do terreno, que corresponda a esse valor, e construir unidades de moradia verticalizadas, ou seja, colocar todos em prédios. Entretanto, o secretário afirma que como a empresa está falida, juridicamente os trabalhadores prejudicados teriam que ser contemplados antes dos ocupantes do bairro. "Segundo informações que nós temos, o núcleo inicial de ocupantes de pinheirinho é exatamente dos trabalhadores com quem a massa falida tem dívidas", completa.
A segunda proposta abordada na reunião é levantar outras empresas em situação de falência e endividadas com a União para construir conjuntos habitacionais. O objetivo é analisar localizações próximas ao centro de São José dos Campos, assim como era Pinheirinho, para não deslocar ainda mais as famílias. A terceira proposta será aproveitar os terrenos da União que fazem parte da Rede Ferroviária Federal S.A., nos trechos desativados, e que passam pela cidade. Tudo isso vai depender, também, da situação jurídica e da importância atual desses espaços para a rede.
A reintegração de posse de Pinheirinho prejudicou 20 mil pessoas acomodadas em alojamentos cedidos pela prefeitura. Parte ainda está morando em casa de amigos, parentes ou até mesmo nas ruas. Um dos ex-ocupantes de Pinheirinho é Vanderlei, de 37 anos, que teve uma costela quebrada por um policial da ROCAM durante a ação de despejo, ao tentar ajudar um jovem jornalista que estava sendo espancado pelo PM.
Vanderlei, que morava há quatro anos no Pinheirinho, e que tem uma esposa e filha de dez meses, conta que a situação nos alojamentos é ruim e humilhante, com pessoas dividindo banheiros, crianças tendo que tomar mamadeira estragada, e assistentes sociais oferecendo passagens para as famílias voltarem para as regiões Norte ou Nordeste do país. "Os abrigos da prefeitura parecem verdadeiros campos de concentração. Ninguém pode mais entrar ou sair depois das dez horas da noite".
Há sete anos a situação do terreno é de litígio. As famílias começaram a ocupar Pinheirinho depois de esperarem por casas da CDHU prometidas pela prefeitura e Estado durante anos. Como nunca eram entregues, decidiram construir com as próprias mãos, e assim deram origem ao bairro, em 2004. A decisão de reintegração de posse foi finalmente dada pela Justiça Estadual, em janeiro de 2012. A 18ª Vara Cível de São Paulo pediu a suspensão da ação por 15 dias, contados a partir do dia 18 de janeiro, até que se discutisse uma saída para os moradores que ficariam desalojados. O que não foi acatado pelo estado. No domingo, 22 de janeiro, dois mil soldados, entre policiais militares e Guarda Civil Metropolitana, invadiram o bairro e retiraram de surpresa as seis mil famílias.

'Não consigo recuperar minha dignidade', diz ex-morador do Pinheirinho

José Lino Guerreiro é um dos tantos que lamenta a falta de moradia depois da expulsão de 1.600 famílias de ocupação consolidada

Há seis anos cadastrado em um programa habitacional de São José dos Campos (a 97 quilômetros da capital paulista), José Lino Guerreiro é um dos tantos que lamenta hoje a falta de moradia - 30 dias depois da reintegração de posse que expulsou 1.600 famílias do terreno do Pinheirinho.
Guerreiro aguardava há seis anos ser chamado
 em um programa habitacional da prefeitura
- Foto: Danilo Ramos/RBA
Munido de documentos que comprovam suas perdas, o sem-teto relatou sua situação à Rede Brasil Atual. "Não tem mais ninguém da mídia para dar um apoio em um momento tão crítico como este, de incertezas", lamentou. Pai de seis filhos - sendo três crianças -, apresenta-se como um dos líderes do movimento dos moradores da comunidade expulsos de suas casas no último 22 de janeiro.
“Eu acho que não tenho mais capacidade de recuperar minha dignidade. Sempre trabalhei, minha esposa sempre trabalhou e ainda assim fomos tratados como bichos”, lamentou. Guerreiro saiu de casa com a roupa do corpo naquele domingo, às 4h15 da manhã. Em uma ficha da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, preenchida por ele mesmo, uma extensa lista dos pertences perdidos, incluindo galinhas e patos que criava em seu quintal.
O computador que havia comprado para sua filha de nove anos também desapareceu após a reintegração. “Trabalhei dia e noite para não precisar pegar o que é dos outros. E ficou lá. Posso te garantir que foi extraviado no meio do caminho”, afirmou. Eletrodomésticos comprados no final do ano passado, e cujas parcelas ainda estão sendo pagas, foram igualmente perdidos. Guerreiro teve uma moto e um carro guinchados.
E pior: após faltar duas vezes ao trabalho para passar pela triagem da prefeitura que o encaminharia aos abrigos, foi demitido da madeireira onde estava empregado com carteira assinada.
Guerreiro aguarda o pagamento dos auxílios aluguel e mudança, no total de R$ 1 mil, assim como outras cerca de 140 famílias ainda abrigadas em locais indicados pela prefeitura.
Os desabrigados queixam-se do aumento do valor dos aluguéis depois da desocupação do Pinheirinho - tornando a ajuda que recebem insuficiente para alugar um novo imóvel.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/8880

domingo, 22 de janeiro de 2012

Começa a guerra no Pinheirinho























Descumprindo decisão do TRF, governo do estado de São Paulo invade a comunidade do Pinheirinho, com arsenal de guerra. 
Cerca de 2000 policiais militares, com apoio de blindados e até helicópteros, iniciaram a desocupação pela manhã, com a truculência de sempre. Agressões a grávidas, tiros com balas de borracha e com munição letal, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogênio são os recursos utilizados para atacar mulheres, crianças, idosos e demais cidadãos dos Pinheirinho.
O deputado Ivan Valente (Psol) e o senador Eduardo Suplicy encontram-se no local, tentando negociar à favor da população.
Não sabemos como essa história terminará. Esperamos uma conclusão favorável aos populares. Mas, independente do resultado, permitimos mais uma mancha na nossa curta e demagógica democracia. Continuamos figurando como um país socialmente irrelevante, cujas ações públicas coadunam com interesses burgueses, deixando à combalida população o ônus e as pancadas, nas poucas vezes em que se revolta!

Anderson Freitas

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

As "tragédias climáticas" e o atraso nacional


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PCO - O número de pessoas afetadas pelas chuvas chegou a 2,5 milhões.


Nove mortos em Sapucaia, distrito do estado do Rio de Janeiro atingido no dia 9, segunda-feira, por deslizamentos de terras após chuvas na região. Quinze mortos em Minas Gerais desde o início do verão, sendo que as três últimas vítimas fatais eram da cidade de Além Paraíba, localizada na Zona da Mata. Assim como nos outros casos, estas três pessoas também foram vítimas de enchentes e deslizamentos. No Espírito Santo, as chuvas já deixaram, somente este ano, mais de 11 mil cidadãos sem casa e causaram a morte de uma pessoa na cidade de Piúma, no litoral Sul do estado. Os dados são alarmantes e assustadores e, o que é mais grave, são apenas parciais.
Outro fato que tem deixado todos em estado de alerta é que as chuvas estão apenas começando e que até o final do verão muitas tragédias como esta deverão ocorrer. Segundo informações do próprio governo Dilma, divulgadas para a imprensa capitalista por Aloísio Mercadante, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, desde o início do verão aproximadamente 2,5 milhões de pessoas já sofreram algum transtorno grave pelos motivos enumerados acima.
Diante de números desta proporção e dada a regularidade do fenômeno que todo o início de ano atinge milhões de brasileiros, o problema das chuvas a das ditas "tragédias naturais" não pode ser encarado como mero acaso.
A questão das chuvas deve ser encarada, neste sentido, como um dos graves problemas nacionais.
Ano passado, o País sofreu com a maior tragédia deste tipo de sua história. Na região Serrana do Rio, quase mil pessoas morreram após inundações, enchentes e deslizamentos de terras. Daquela época até hoje, a única "grande" iniciativa do governo foi a construção, de forma precária, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Esta medida, ao contrário do que afirma o governo, revela justamente a principal causa do problema.
O Cemaden monitora apenas uma em cada cinco cidades consideradas de grande risco. Mas o pior não é isto.
É evidente que o País deve contar com um centro de monitoramento desta natureza. No entanto, seria preciso muito mais para solucionar o problema que tem sua origem na completa falta de infraestrutura das cidades brasileiras.
Somente isto pode explicar que apenas na cidade de Ouro Preto, por exemplo, foram registrados 136 deslizamentos de terras somente no último mês. Ou seja, mais do que a força da ação da natureza, as cidades brasileiras estão com sua infraestrutura completamente obsoleta por causa da falta de investimentos. E os poucos investimentos que existem se restringem a monitorar as condições climáticas, mas não preparam os locais para que sejam evitadas tragédias.
A falta de investimento, por sua vez, está diretamente ligada ao destino dos recursos públicos. Neste caso, o principal fator que impede grandes investimentos na área é a política de entregar grande parte do dinheiro público para os bancos nacionais e internacionais.
Neste sentido, o problema das "tragédias climáticas" está diretamente ligado à questão do atraso nacional. A política de rapina do imperialismo e a submissão do governo e da burguesia nacional diante desta questão tornou-se um empecilho para o desenvolvimento do País. Com isso, os investimentos no setor produtivo, e as obras de infraestrutura fazem parte disto, ficam reduzidos quase à zero.
As consequências são prejuízos incalculáveis e a perda de muitas vidas humanas.
Por isso, é preciso denunciar que a responsabilidade sobre as consequências de todas estas tragédias são dos governos que fazem a população pagar a conta para que os banqueiros e grandes capitalistas possam usufruir de grande parte do orçamento estatal.


Fonte: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=34557

sábado, 8 de outubro de 2011

Fora Cabral!


 Liderados pelos camaradas bombeiros, o funcionalismo público do estado do Rio de Janeiro convida toda população, a participar do ato Fora Cabral! Impeachment já!.

 Juntos somos mais fortes!
 Juntos poderemos construir o Rio que merecemos!
 À luta!

domingo, 18 de setembro de 2011

A farsa da “faxina” de Dilma


Escrito por Diego Cruz

Ministro da Agricultura é o quarto a cair em apenas oito meses de governo
 
No dia 17 de agosto o então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, entregou sua carta de demissão à presidente Dilma. Foi o desfecho de duas semanas de revelações quase ininterruptas de irregularidades e corrupção no órgão, que tornaram a permanência do ministro insustentável. Em apenas oito meses de mandato, Rossi foi o quarto ministro a cair.
 
Mais uma ação da “faxina” de Dilma nos ministérios? Essa é a ideia que tanto a imprensa como setores do governo tentam vender. Ao melhor estilo da “vassourinha” eternizada na campanha de Jânio Quadros, Dilma estaria “varrendo” a corrupção ao expurgar quadros do governo envolvidos em escândalos.
 
Contra essa visão de que Dilma estaria empenhada em promover uma limpeza ética nos ministérios está o fato de que o governo sustentou até o último minuto cada um dos quatro ministros que caíram. E, uma vez fora do governo, continuam impunes e sem qualquer investigação.
 
Cai representante do agrobusiness
 
O caso de Wagner Rossi foi ilustrativo. Ministro desde 2010 quando foi nomeado por Lula, o político é um apadrinhado do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e fiel representante do agrobusiness. Desde o final de julho, o político foi alvo de uma saraivada de denúncias, que vão de desvios da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão que comandou, a fraudes e superfaturamento em licitações, cobrança de propinas e o recebimento de privilégios por parte dos empresários do setor.
 
Rossi é acusado de, no comando da Conab, liberar 100 toneladas de feijão à prefeitura de João Pessoa (PB), em 2007, dirigida pelo aliado Ricardo Coutinho (PSB). O então prefeito estocou o feijão para distribuí-lo durante as eleições de 2008. Hoje ele é governador do estado.
 
Outra denúncia é a da atuação de um lobista ligado às empresas agropecuárias em pleno prédio do ministério. O lobista Júlio Fróes teria não só livre trânsito no ministério da Agricultura, como total liberdade para fechar contratos. A audácia era tanta que o lobista contava até com sala no prédio do ministério, equipada com computador e telefone para ele “trabalhar”.
 
A revelação de que Wagner Rossi e seu filho, o deputado Baleia Rossi (PMDB), contavam com um jatinho da empresa Ouro Fino à disposição foi a gota d’água. A empresa produz vacinas para febre aftosa e mantinha negócios com o governo. Temendo o aparecimento de novas denúncias e como forma de resguardar Baleia, presidente do PMDB em São Paulo e uma das principais apostas para a renovação de quadros da sigla, Wagner Rossi pediu demissão. À Dilma coube lamentar a demissão.
 
Rossi saiu, mas a pasta continuou na “cota” do PMDB. O novo ministro, o deputado gaúcho Mendes Ribeiro Filho, afirmou que tinha “muito a aprender” com o ex-ministro. O governo varreu a sujeira para debaixo do tapete.
 
Corrupção e o governo
 
A sucessão de demissões mostra que, longe de partir de uma “cruzada ética” de Dilma, ocorre quando já há uma avalanche de denúncias sem explicação. O governo tenta agora fazer dos limões uma limonada, ou seja, apresentar essas quedas como parte de uma ação moralizadora do governo a fim de esconder essa crise. A corrupção, porém, não é um corpo estranho infiltrado em Brasília. É parte do próprio governo, por suas escolhas e sua natureza.
 
A fim de garantir a “governabilidade”, o PT há muito se rendeu ao chamado pragmatismo político, isto é, a ideia de que se deve abrir mão de princípios e bandeiras para conseguir uma sólida base no parlamento. E isso pressupõe a fisiologia, ou seja, a troca de cargos por apoio no congresso. A prioridade dada à aliança com o PMDB aprofunda isso ainda mais, já que o partido de Temer é o símbolo da corrupção e do fisiologismo no país.
 
Outro aspecto que faz com que a corrupção seja parte integrante desse governo são as relações espúrias entre o setor público e o privado. São empresários, fazendeiros e banqueiros que financiam as campanhas e os partidos que estão no poder. Uma vez eleitos, vão retribuir o apoio. Nem sempre apenas com a aprovação de leis. Licitações e contratos são os meios para irrigarem as empresas.
 
Varrendo para debaixo do tapete
 
O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, foi flagrado com um crescimento exorbitante de seu patrimônio nos dois últimos anos. Prensado contra a parede por mais de um mês, e sem explicações plausíveis para os R$ 20 milhões de lucros de sua empresa de “assessoria”, Palocci foi obrigado a renunciar para não deixar que a crise atingisse o governo. E continua com os R$ 20 milhões.
 
Denúncias atingem o Ministério dos Transportes comandado por Alfredo Nascimento, do PR. Contratos superfaturados e cobrança de propinas foram revelados no ministério e no Dnit, departamento responsável por obras em estradas federais, e com orçamento de R$ 12 bilhões. Embora soubesse do que acontecia por lá, e incomodada pelos constantes aumentos dos contratos, Dilma na época declarou “total confiança” em Nascimento e o incumbiu de investigar as irregularidades.
 
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi o terceiro a cair. E isso só ocorreu após ele ter concedido entrevistas declarando ter votado em Serra nas eleições e ofendendo as ministras Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti. Não havia qualquer discordância da política de Jobim, como a defesa das privatizações dos aeroportos ou a ocupação do Haiti.
 
Antes das denúncias atingirem Rossi, o Ministério do Turismo foi alvo de investigação da Polícia Federal, que resultou na prisão de 35 pessoas. O Planalto se limitou a criticar o uso de algemas pela polícia. Há ainda denúncias de corrupção envolvendo o Ministério das Cidades, do Desenvolvimento Agrário e das Minas e Energia.
 
Farsa da “Frente contra corrupção” e o PSOL
 
No dia 15 de agosto, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) lançou no Congresso uma frente parlamentar “suprapartidária” para apoiar a suposta faxina de Dilma. Uma jogada de marketing para apoiar a imagem de “combate à corrupção” de Dilma e para demonstrar que o Senado estava ao seu lado nessa cruzada. Aproveita ainda a boa popularidade que Dilma mantém nas pesquisas.
 
Que o Senado, palco de uma série de casos de corrupção a começar pelo seu presidente, tente navegar de forma oportunista nessa história não é de se espantar. O que estranha é a atuação do senador do PSOL, Randolfe Rodrigues, do Amapá. O senador não só integrou a frente como declarou publicamente apoio à Dilma. “Eu apoio a presidente Dilma para tirar de seu governo o pior tipo de ladrão, que não é o ladrão de galinha, mas o ladrão do dinheiro público, que rouba os sonhos da nação”, discursou o senador.
 
Fonte: Opinião Socialista no 430, PSTU